YARA DE NOVAES ASSINA SEU NOME EM MONTAGEM DE NELSON RODRIGUES
Nelson Rodrigues é nosso Shakespeare. Burra de unanimidade, a frase se justifica pela releitura que cada geração faz do autor, tendo que dar conta, como em Titus Andronicus, de um grotesco quase paródico sem cair no deboche esvaziador.
A complicada estratégia é resolvida com arrojo por esta “Serpente” de Yara de Novaes. Apoiada em um cenário instigante de André Cortez, que desloca as referências do real como em um quadro de Magritte, e na trilha de Morris Piccioto que transforma os diálogos em paisagem sonora, o incômodo desejo cotidiano da trama contorce os atores em coreografias vigorosas, o que já vem se constituindo em estilo da diretora.
Novaes, no entanto, não resiste à tentação de “assinar” o espetáculo com truques desnecessários, como o uso de microfones em cena, o que se torna um trunfo na mão do experiente Augusto Madeira mas que acentua a fragilidade da interpretação de Alexandre Cioletti.
Débora Falabella está correta, dosando com segurança realismo e expressionismo, enquanto Mônica Ribeiro, se arriscando mais no humor, por outro lado excede às vezes no histriônico. Cyda Morenyz, em participação especial, tem a entrega exigida pelo autor para transformar o tipo em arquétipo.

Maria Manoela reencontrando seu velho professor (sem platéia por favor)
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