Na Moita


20/01/2006


Serpente pequena

YARA DE NOVAES ASSINA SEU NOME EM MONTAGEM DE NELSON RODRIGUES

 

Nelson Rodrigues é nosso Shakespeare. Burra de unanimidade, a frase se justifica pela releitura que cada geração faz do autor, tendo que dar conta, como em Titus Andronicus, de um grotesco quase paródico sem cair no deboche esvaziador.

A complicada estratégia é resolvida com arrojo por esta “Serpente” de Yara de Novaes. Apoiada em um cenário instigante de  André Cortez, que desloca as referências do real como em um quadro de Magritte, e na trilha de Morris Piccioto que transforma os diálogos em paisagem sonora, o incômodo desejo cotidiano da trama contorce os atores em coreografias vigorosas, o que já vem se constituindo em estilo da diretora.

Novaes, no entanto, não resiste à tentação de “assinar” o espetáculo com truques desnecessários, como o uso de microfones em cena, o que se torna um trunfo na mão do experiente Augusto Madeira mas que acentua a fragilidade da interpretação de Alexandre Cioletti. 

Débora Falabella está correta, dosando com segurança realismo e expressionismo, enquanto Mônica Ribeiro, se arriscando mais no humor, por outro lado excede às vezes no histriônico. Cyda Morenyz, em participação especial, tem a entrega exigida pelo autor para transformar o tipo em arquétipo.

Marcante, evitando o mau gosto e reatulizando a crônica carioca dos maus costumes, a montagem sacrifica a profundidade psicológica em nome da dinâmica do teatro-dança. Cumpre o atual função de Nelson Rodrigues no teatro brasileiro: é a prova de fogo vencida pela diretora Yara de Novaes.

Escrito por Sérgio às 11h00
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17/01/2006


tender serial killer

Acabo de ver Crime Delicado do Beto Brant, em cabine (meia duzia de críticos sonolentos que não se falam e correm para a rua no final). Que diferença com o teatro.

Mas o importante é que o filme é do caralho. Devassa todas essas questões sobre desejo e ética que fizeram os melhores momentos deste blog, nas polêmicas com o Zé Celso e o Ivam Cabral.Me virou do avesso. Tô até escrevendo como o Mário Bortolotto para ver se o Antonio degruda de mim (Antonio é o protagonista que o Ricca faz. É crítico de teatro da Folha. Sou eu? Bem, o Beto andou assistindo umas aulas minhas... põe a carapuça aí que eu enfio minha cabeça a prêmio, porque é a melhor máscara para se esconder).

Vou tentar escrever coisas inteligentes sobre o filme daqui a pouco. Por enquanto, só digo que, quando a Folha resolver me dispensar, espero que seja o Guzik a fazer isso....

 Maria Manoela reencontrando seu velho professor (sem platéia por favor)

Escrito por Sérgio às 14h13
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