Esperando por uma crítica mais respeitosa
Como antigo assinante e leitor deste jornal, venho manifestar minha indignação frente às críticas teatrais assinadas pelo Sr. Sergio Salvia Coelho. Não me cabe aqui fazer uma retrospectiva das incoerências cometidas por tal “crítico”, mas comentar o seu últtimo texto “Em montagem pueril, Godot de Villela cansa” publicada em 08 de fevereiro na Ilustrada. Também não cabe aqui colocar na berlinda, como diz o referido “crítico”, a sua persona, mas a qualidade de seu texto e o desrespeito “a “verdadeira” função da crítica, que ele parece desconhecer.
Seus textos indiciam serem feitos nos intervalos de alguma outra atividade, dada à sua superficialidade e seus juízos de valores sem propósito. Não é necessário ser um estudioso da Teoria de Análise do Discurso para se detectar o tom “adjetivoso” de seus textos, que neste último citado, atinge o grau do insuportável. Ridícula a menção à “mineirice” do diretor Gabriel Villela e o comentário associando “cigarro de palha” x “isqueiro de plástico”: estamos diante da representação, meu caro crítico, isqueiro é isqueiro, cigarro é cigarro, mas não esqueçamos Magritte, aqui parodiado: “Isto pode não ser um isqueiro ou cigarro”, assim como notamos na montagem, uma lua que não é lua, mas sim uma tampa de latão, as estrelas não são estrelas, mas bolas de meia etc etc. Parece que toda esta poesia se perdeu na inquietação do crítico, que gostaria, talvez, de uma poltrona estofada e bem confortável para destilar seus impropérios
O crítico chega ao cúmulo de generalizar falando da “benevolência da platéia” e da “paciência do público”, eu e alguns amigos assistimos encantados a referida montagem, um prazer estético singular, sem esquecer que é muito bom que nossa percepção “doa” e “se incomode” diante de Beckett, creio que ele ficaria feliz. Portanto: sem generalizações.
Poderia enunciar outros vários problemas que aparecem no texto, mas o que mais que chama a atenção é o seu tom desrespeitoso e irônico.
Falando em ironia, o título da matéria deveria ser “Em crítica pueril, texto de “crítico” cansa e esgota a boa vontade do leitor”. Lamentável.
Obrigado Gabriel Villela e elenco pela noite memorável.
Prof. Dr. João Carlos Gonçalves


Leia este blog no seu celular