Na Moita


24/02/2006


(foto de Lenise Pinheiro)

 

Reli "Só, Ifigênia, sem teu Pai", meu texto para a Mostra do Borghi no Sesi em 2002. Me deu saudades: ficou só duas semanas em cartaz. O Marcio Aurélio me levou muito a sério e fez isso que dá para ver na foto: transformou meu formalismo irônico em lirismo puro. Última cena: a Luah Guimarães vira um quadro de Hooper.

Alguém lembra?

 Este é o Hooper.

Escrito por Sérgio às 10h32
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22/02/2006


entre mortos e feridos

BENDITA TRUPE ABRE FERIDAS COM O RISO

O riso, em geral, serve para diluir a angústia. Os programas humorísticos da televisão, por mais que ridicularizem um político, acabam tornando-o simpático, e não raro um apelido se incorpora à sua campanha, invertendo o fogo da crítica.

Não no caso da Bendita Trupe. Assim como em Os Collegas, seu trabalho anterior, "Miserê Bandalha" partiu de uma pesquisa extensa que incluiu dois ciclos de debates reunindo jornalistas investigativos, artistas de várias áreas, depoimentos de vítimas da violência urbana e de líderes comunitários.

Seria de se temer como resultado desse longo processo ou uma tediosa declaração de bons princípios visando catequizar a platéia ou um besteirol que, tornando tudo superficial, aliviasse o medo da violência e a indignação contra a corrupção. O humor cruel da trupe, no entanto, sem descuidar da primeira tarefa de divertir - como preconizava Brecht - não perdoa ninguém, e abre todas as feridas sem incutir respostas.

Ninguém escapa: líderes de ongs, apresentadores de tv, associações religiosas, jornalistas intrépidos, todos são desmascarados pelo mesmo apetite de mídia, ao exporem o oprimido para valorizar a si mesmo, até que a imagem veiculada e sua realidade cotidiana se misturem em um teatro alucinado.

O espetáculo lembra em vários pontos "O que Diz Molero", pelo seu cenário simples e monumental, bem desenhado pela iluminação, e pelo seu gancho inicial, a trajetória da Turma da Gruta que disputa com o Morro do Pipoco o controle do tráfico. Faria assim um contraponto a "Utopia", outra peça que remete a Molero, mas esta contra-utopia não tem um texto linear sobre o qual bordar.

O "processo colaborativo", pelo qual a dramaturgista Claudia Vasconcellos foi escrevendo o texto junto ao elenco e a diretora Johana Alburquerque tem desvantagens e vantagens. Em geral, as cenas parecem pontas de iceberg de improvisos nos quais os atores devem ter se divertido muito, e a narrativa vai se fazendo em fragmentos, como quadrinhos de jornal. Para ordenar esse caos, Johana lança mão de uma grande inventividade na dramaturgia (cenas são sonhadas ou vistas pela televisão por outro núcleo de personagens, ligando todos os temas) e na direção, que exige uma grande agilidade de contra-regragem, ainda a ser dominada, e de atuação - essa, um trunfo.

É sempre um prazer ver a versatilidade de Maurício de Barros e o cinismo solar de Jacqueline Obrigon, assim como a sensualidade Sin City de Vera Villela, além de reconhecer na pegada segura de Priscila Jorge algo de Fernanda D’Umbra. Os seis atores se desdobram em dezenas de personagens tendo como principal recurso sua garra e alegria. Assim, ridicularizando hipocrisias, a Bendita Trupe cumpre a nobre missão dos bufões: fazer o público voltar para a casa nem aliviado nem esclarecido, mas desnorteado com seu humor feroz.

Três estrelas

 

Escrito por Sérgio às 13h14
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21/02/2006


Spyder Porche Blues

Sem terra do nunca e sem utopia

Um tiro na nuca como anestesia

 

(ei Bortolloto não quer continuar não?)

Escrito por Sérgio às 11h36
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