GRUPO ELEVADOR PASSA DO PONTO EM MONTAGEM DE TRANSIÇÃO "Ponto Zero" é uma montagem sobre a juventude, para a juventude, por um grupo bastante jovem. Curiosamente, soa como uma despedida dessa fase. Dentro de uma mostra retrospectiva - privilégio que o Grupo Elevador de Teatro Panorâmico já merece, após 7 anos de atividades - essa estréia se mantém coerente com a linha de pesquisa do grupo. Como em "Amor de Improviso", presente na mostra, o processo de criação se mantém visível no espetáculo, embora de forma menos radical; mas, dessa vez, a dramaturgia é mais ambiciosa. Grabriel Miziara, ator e dramaturgista, já havia proposto junto ao diretor Marcello Lazzaratto uma colcha de retalhos no seu solo "Loucura", também encontrável na retrospectiva. Agora, com um recorte em princípio cronológico de textos, a proposta toma ares quase de painel social. Pequenas cenas emblématicas de cada década, tiradas de peças de teatro, filmes e romances (de Salinger e Kerouac, para a década de 60, até Lolita Pille, desconfortavelmente representando a última geração) compõem um painel coerente e fecundo, que ilustra quase pedagogicamente o progressivo desamparo ideológico e existencial das sucessivas novas gerações. O engajamento político pinçado do Filme "La Chinoise" de Godard dá lugar a um niilismo egocêntrico e superficial. O elenco se desdobra em vários personages, também marca do grupo, e tem uma boa harmonia, graças ao método de Lazzaratto, que permite cenas em que todos falam ao mesmo tempo sem perder a passada de foco vertiginosa. Essa façanha do "campo de visão", no entanto, não soluciona a imaturidade ainda presente na composição de cada personagem. Para fugir ao esquematismo excessivo, e sobretudo a uma impressão de se estar condenando a última geração em comparação aos míticos revolucionários de 68, na segunda metade do espetáculo as cartas são misturadas, como se a adrenalina adolescente tomasse conta da narração. O belo cenário de Silvana Marcondes, um Mondrian em preto e branco, se colore com grafitis; todas as épocas se misturam. Ousado, mas, estendendo desnecessariamente o espetáculo, o artifício acaba soando como uma fuga pela tangente dos desafios mais adultos de um espetáculo mais convencional. Vindo de uma tuma privilegiada do Teatro-Escola Célia Helena, o grupo, 7 anos depois, ainda soa como um grupo de escola, com tudo o que isso tem de bom e menos bom. É chegada a hora de um salto de qualidade, e o Elevador possui já todos os ingredientes para isso.


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