JUCA DE OLIVEIRA SEGUE A RISCA FORMULAS RENTAVEIS Juca de Oliveira não tem o menor escrúpulo de dar a seu público fiel exatamente aquilo que é esperado dele. Seguindo à risca uma fórmula rentável há décadas, recicla sem cansar centenários golpes de cena do vaudeville: neste "Às Favas...", um documento extraviado denuncia o marido infiel, como em "Motel Paradiso", e a esposa se vinga como em "Caixa Dois" desviando o dinheiro que o marido ganhou em corrupção política, fonte de renda também dos protagonistas de "Meno Male" e "A Flor do Meu Bem Querer". Sem nenhuma ousadia formal, seu questionamento político se limita a bravatas de bar, com cacos reatualizados a cada semana que ganham a simpatia imediata do público. Nesta semana, por exemplo, o ‘relaxa e goza’ da ministra do turismo teve uma boa saída, assim como farpas mordazes a Renan Calheiros, tratado por "eminente pecuarista". Ao mesmo tempo, a moral subjacente é claramente conservadora: na "Babá", por exemplo, a mulher que trabalha fora induz o marido a traí-la com a empregada nordestina, uma resposta ao "Casa de Bonecas" de Ibsen, com algum atraso, infelizmente. Assim, ao mesmo tempo em que canaliza a indignação da classe média contra a excessiva facilidade para a corrupção na política, desculpa os eventuais adúlteros e corruptos da platéia, já que o protagonista se justifica várias vezes ao se afirmar revigorado com a traição, e é a sua mulher, até então bastião da virtude traída, que pronuncia a frase-título, que sendo a última soa como um sarcástico endosso ao salve-se quem puder. Caricaturais ao extremo, os personagens desautorizam qualquer aprofundamento do tema - o que é pena, dado a sua eterna presença nos noticiários. Peça de entra e sai e de telefonemas, acentua a inexperiência da direção de Jô Soares até o amadorismo, ao multiplicar black-outs inúteis e vinhetas musicais decorativas. Não tem o menor escrúpulo também em querer preservar a verossimilhança além da unidade de espaço e de tema. No segundo ponto de virada, para manter uma terminologia americana cara a Juca, o assassino ergue a arma e cai, fulminado por um ataque cardíaco - o que merece ser o exemplo de "inverossímil" em qualquer manual de dramaturgia. Por outro lado, a montagem deixa à vontade os atores. Neusa Maria Faro faz uma empregada como se vê nas novelas, simpática e patética. Daniel Warren faz um adolescente de comercial, ao qual não falta sequer o boné virado para trás. Adriane Galisteu faz o papel da amante exatamente como se espera dela, se divertindo inteligentemente com o estereótipo que criou para si. Juca de Oliveira é, como sempre, o canalha adorável, a quem tudo se perdoa. Vale a pena ir ao teatro para ver Bibi Ferreira? Sim. Mostrando que é filha do grande Procópio, que tinha sempre na manga pelo menos três maneiras de se fazer um bêbado, se apóia na mediocridade do texto para criar marcas impagáveis. Na sua boca, até um palavrão soa como um acontecimento. Dada a sua grande forma, seria tentador esperar que exigisse de si mesma maiores desafios. Deveria-se esperar o mesmo de Juca de Oliveira? Não. A ele, cabe o destino de Eugène Scribe (1791-1861), o ancestral do vaudeville, o mais ilustre dramaturgo na França enquanto viveu - e esquecido logo depois. Ruim


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