FIT FAZ PREVALECER A PESQUISA DE GRUPOS Conceito do sétimo FIT de Rio Preto seguido à risca na programação, a impermanência está não só nos meios, cenários alternativos que incorporam o aleatório, mas também em relação aos próprios espetáculos, tomados enquanto processo e não como resultado. Assim, temos montagens que, no contexto de um ponto de encontro para troca de experiências, dão mostras de uma pesquisa sólida e variada. É o caso de "Zona de Guerra", da Cia Tripital de Teatro, de São Paulo, dirigida por André Garolli, um texto do início de carreira de Eugene O’Neill, de trama simples e linear, girando em torno do medo dos marujos pela bomba de um eventual espião infiltrado. A montagem busca quebrar com cenas simbólicas, plasticamente bem elaboradas, um naturalismo um pouco datado. Atores que sabem dizer um texto e dar perspectiva a seus personagens não evitam de todo uma certa redundância entre o que é dito e mostrado. A pesquisa do grupo ganha importância, no entanto, quando se sabe que esta peça, dando seqüência à premiada "Rumo à Cardiff", faz parte de uma tetralogia das "peças do mar" de O’Neill que vem sendo construída pela Triptal. Da mesma forma, há algo de previsível na fábula cigana "Savina", do Amok Teatro do Rio Janeiro: um pai promete casar sua filha ainda não nascida com o também futuro filho de seu melhor amigo. Quando chega a hora, no entanto, ele busca cancelar a promessa, já que seu amigo agora é um velho bêbado, com filho namorador. A pesquisa aprofundada no universo cigano, associada à grande técnica de Stephane Brodt, no papel do amigo renegado (técnica que faz falta ao resto do elenco masculino), além da trilha ao vivo apurada e a boa dinâmica do cenário, fazem esquecer algumas ingenuidades da direção de Ana Teixeira, também autora do texto, como certas corridas inutilmente ilustrativas. Por seu lado, o grupo Espanca! de Belo Horizonte, que surpreendeu a todos anos atrás com a madura peça de estréia "Por Elise", tem agora que enfrentar o estigma da segunda peça. Na comparação, "Amores Surdos" perde muito: o texto, da mesma Grace Passô, foge inteligentemente de uma cobrança por um novo mergulho metafísico em seu quintal com um texto de humor descabelado, mas deixa a impressão de esboço. Uma família segue um cotidiano de sapateados obrigatórios e a asma de um irmão "pequeno" de tamanho descomunal. No entanto, o mal-estar vai crescendo na forma de um hipopótamo secreto, com o potencial simbólico do rinoceronte de Ionesco. A encenação de Rita Clemente é ainda bastante incipiente. Não é grave: na impermanência do teatro, a busca é mais valiosa que os eventuais achados. (todos bons)


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