ULTIMAS NOTICIAS DE UMA HISTORIA SÓ ENVOLVE PELOS DETALHES DO COTIDIANO Otávio Martins, que por tantos anos desenvolveu o distanciamento brechtiano junto à Companhia do Latão, encena seu primeiro texto focando não a ideologia política, mas o cotidiano. Inspirado pela teoria do caos, que procura estabelecer a causa de cada acontecimento em uma combinação aleatória de pequenos fatos aparentemente desconexos, tece uma colcha de retalhos ao estilo do filme Magnólia, de Paul Thomas Anderson. O fio da meada é um sequestro que força a convivência entre uma mulher de classe média e um adolescente que está perdendo o controle de sua vida. Melissa Vettore está à vontade em um papel bastante próximo de si mesma, em contraste com Luciano Gatti, que embora esteja se revelando um ator promissor, perde um pouco com a estilização necessária para criar um "mano". No papel de narrador, lembrando Joel Grey em "Cabaret", Alex Gruli rouba a cena com um cinismo preciso e envolvente. Enquanto diretor, Martins cria um ritmo ágil através da utilização de gestos simbólicos, quase "gestus" brechtianos, que alinhavam as coincidências. Uma cenografia inteligente, que combina cenário e iluminação, e um bom entrosamento entre atores fazem desta montagem uma boa opção dentro do horário alternativo. Martins ainda cede desnecessáriamente à dramaturgia convencional, quando propõe reviravoltas quase melodramáticas na trama central: é nos detalhes que está a força de seu texto e sua montagem.


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