ANTROPOFOCUS VOLTA PARA O COLO DE SEU PÚBLICO
Não é a toa que o grupo Antropofocus ostenta um “TM”, sinal de marca registrada, ao lado do seu nome. Merecedores de um público fiel, cada membro tem seu próprio fã clube no Orkut, e a exemplo das Organizações Tabajara do Casseta & Planeta, têm uma produção de humor intensa e diversificada, com shows em empresas, vídeos no Youtube e até downloads em celular. Tendo conquistado um grande sucesso no “Janeiro Brasileiro da Comédia” no ano passado com “Pequenas Caquinhas”, que era derivado deste “Amores & Sacanagens Urbanas”, o primeiro espetáculo do grupo e seu cartão de visitas, não é de se admirar que tenham chegado já com sessão extra esgotada, o que é corriqueiro na sua trajetória.
O diretor e ator Andrei Moscheto conta que o grupo se formou já no segundo ano da Faculdade de Artes do Paraná a partir da frustração dos alunos pela pouca importância dada à comédia por parte da Academia. Formaram-se então na garra e na cara de pau, a partir de um humor que, se apressam a dizer, é “não-apelativo” o que não quer dizer que seja particularmente profundo.
Mas também não quer dizer que seja mal feito ou mal embasado. Na primeira parte do espetáculo, feita por solos, cada um mostra um estilo próprio. Leo Oda tem um humor mais físico, narrando com mímica precisa seu amor grotesco por uma mulher imensa. Danilo Correia é mais radiofônico, criando o velho tarado “Seu Tide” com uma grande variedade de ritmos e entonações em bordões eficazes. Já Vitor Hugo explora o fleugma de Monty Python com suas repetições e sua falsa solenidade, enquanto que Jairo Bankhardt anda pelas sendas do Chaves, ao fazer um garoto de cinco anos.
Na segunda parte, jogam entre si basicamente na técnica do improviso, embora só uma cena siga à risca o protocolo do teatro-esporte, promovido por Márcio Ballas em “Jogando no Quintal”. A sonoplastia de Célio Savi, um fundador do grupo que acompanha todos os ensaios, serve como um eficiente fio condutor, garantindo junto ao figurino elegante um bom acabamento ao espetáculo.
Assim, o Antropofocus engrossa as fileiras do besteirol curitibano, onde cabem tanto as performances cults do intelectual Fernando Kinas como o trash do bad boy César Almeida. Virtuoses do pueril, sempre dispostos a revisar sua técnica precisa de tirar risos de um texto pobre, quando não um mero pretexto para improviso, o Antropofocus poderia passar para uma fase mais avançada do jogo ao voltar sua auto-exigência para a origem do espetáculo, o seu tema, a sua relevância. Mas, para isso, terão que abrir mão do conforto de dar à platéia apenas aquilo que ela espera do grupo.


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