GÊNERO DE COMÉDIA AMPLIA OS LIMITES DO HUMOR
Como no “one man show”, gênero que marcou em décadas passadas a carreira de José Vasconcelos, Chico Anísio e Jô Soares, a “stand up comedy” supõe um ator com um microfone em punho se dirigindo diretamente à platéia, munido de piadas, frases de efeito, imitações e, a rigor, um mínimo de adereços para se multiplicar em cena.
Mas o humorista de stand up tem o orgulho de se arriscar muito mais. Seu “material”, mais que um mero improviso mas não fechado como um monólogo, consiste em textos do próprio punho (comprar ou imitar pode desgraçar reputações) no qual ele se expõe como personagem principal, assumindo suas inadequações físicas e inabilidade diante do mundo.
O jogo consiste em ganhar a empatia do público comentando pequenos incidentes do cotidiano, tão específicos que não raro cada performance deve ser adaptada de acordo com o endereço do show ou de um acontecimento marcante da véspera, ostentando a capacidade de contracenar com a platéia. Por isso, seu grande parceiro é o “heckler” o chato da platéia que quer ser mais engraçado e se presta a uma queda de braço de insultos.
Como nos Estados Unidos, onde nasceu o gênero, rastrear a história do stand up comedy no Brasil é fazer uma lista de pioneiros. Tudo começa com o número de cortina do vaudeville, no qual um ator tem que entreter a platéia na boca de cena, enquanto que por trás dele o cenário é trocado. Basta reler o “Mambembe”, de Arthur de Azevedo, para checar como o caipira se dirige diretamente à platéia, comparando-a às mulas tropeiras, em uma provocação típica do gênero. Na era do rádio, Noel Rosa era mais humorista do que cantor –sendo a crônica provocadora dos costumes a essência de seus sambas- e a televisão se adapta perfeitamente a esses esquetes curtos (é só lembrar que “A Praça É Nossa” e o professor Raimundo começaram no rádio).
Tendo entrado em decadência na virada do século, a nova mídia da Internet volta a consagrar esses camicases do humor. Que o diga Rafinha Bastos que tinha seu site já em 1999, tendo baseado seu enorme público unicamente no boca-a-boca.
Em São Paulo, tendo como pioneiro o “Terça Insana” de Grace Giannoukas, proliferam grandes comediantes como Marcelo Mansfield, Danilo Gentili e Danny Calabreza. Em Curitiba, o “Risorama”, criado há cinco anos por Diogo Portugal como um apêndice do Festival de Curitiba se consagrou este ano como atração principal; enquanto que no “Janeiro Brasileiro da Comédia” de São José do Rio Preto, festival específico no rasto do FIT, a partir deste ano instituiu um “open mic” para descobrir talentos locais.
Democrática e insolente, a “Stand Up” é garantia de renovação – ou, pelo menos, de boas risadas – desde que os performers sobrevivam à dura prova de fogo de se expor ao ridículo, de cara limpa.


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