Com personagens bem marcados em uma situação limite, é fácil cair na caricatura ao se fazer Plínio Marcos. Na mão de bons atores, no entanto, o exercício pode se tornar um arquétipo de brasilidade. Dupla bem sucedida em “Cleide Eló e as Pêras”, Paula Cohen e Gero Camilo, mais Gustavo Machado, outro membro dessa geração privilegiada, fazem um “Navalha na Carne” marcante.
Gero faz um Veludo contundente e divertido, digno em seu auto-escacho. Gustavo Machado, um Vado mais metrossexual que malandro, está um pouco frágil diante da poderosa Neuza Sueli de Paula Cohen, que brande seu sexo como uma navalha aberta, e tem um grande momento no monólogo desafiador.
Pedro Granato é bem sucedido em sua tentativa de libertar o texto do que ele tem de datado, sobretudo apoiado no instigante espaço cênico de Alessandra Domingues, uma cama redonda ringue de catch que uma cegante luz fria enquadra: a quadratura do círculo do desejo. Apenas o final, que tenta escapar ao patético, acaba esvaziando um pouco a força de Plínio Marcos.
Três estrelas


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