Na Moita


19/08/2008


Atendendo à campanha da Bacante....

Voltei!!!!!

 

Na verdade, foi uma falha técnica que nem o técnico do uol soube explicar. Há mais mistérios na net do que pode explicar o Wagner Moura.

Mas você, leitor amigo e que passa sem deixar traços, não perdeu nada. Faz tempo mesmo que não escrevo na Folha. Tinha sido convidado simultaneamente pela Ilustrada e o Guia para escrever sobre Nossa Vida não Vale um Chevrolet (sou arlequim terceirizado por dois amos). A Ilustrada não liberou para o Guia (que também me pediu para escrever sobre a versão opala para cinema), morreu o Dorival e eu fiquei sem espaço nenhum. É doce morrer na praia.

Mas ainda bem, porque ia dar merda. Achei exatamente o contrario do crítico de cinema que disse que vale pelas personagens Magali e Silvia. Nada contra (essa é para o Roveri) as atrizes. Mas Magali tecladista de churrascaria, boa moça que tem que dar para o patrão, é de doer. Esse melodrama maniqueista não tem nada a ver com o Bortolotto. Tem chavão e chavão. Os do Mário estão afinados com Miller, o Harry e o Frank, e as caracterizações padrão do Leo Medeiros e do Milhem (não adianta eles se disfarçarem de guerrilheiro ou de padre, são sempre eles e está bom assim) têm tudo a ver com esse universo. O Gabriel Pinheiro tem o desplante de funcionar nos dois (moleque marrento!) Mas qual a necessidade do Pereio de terno bancando o pai do Hamlet? E para que essa "genial" montagem fora de sequência das cenas da Silvia? Não bastava a doçura triste da Maria Luiza Mendonça? Se o diretor acha o naturalismo do Mário pouco para ele, porque não fez um remake do "Corra, Lola, Corra?" As intromissões cretinas da edição pioram ainda mais as intromissões cretinas do roteiro, e o filme afunda (ao contrário do filme do Zé do Caixão, que é salvo pela edição esperta).

Ok, eu não entendo nada de cinema, vou ficar quieto. Mas aqui do meu galinheiro, fico feliz que o verdadeiro "Nossa Vida Não Vale um Chevrolet" possa ser ainda visto nesta meia-noite de sexta feira nos Parlapa. Essa peça é o Help, o Love me Tender do Mário, e ver o próprio fazer o Lupa com a Fernanda fazendo a Silvia, brincando de tirar 15 anos das costas lucrando o ágio do distanciamento irônico, é como tomar um black label. Não tem jeito de dar errado. Pode ler em francês, que a Luciana Botelho vendeu pra Comédie Française (googa aí pra ver se eu estou mentindo), mas tem gente que prefere dizer que o Mario "pegou carona" no Opala. Deleitem-se com merda, gente, um milhão de moscas não podem estar erradas, enquanto eu vou lá na praça ter certeza que o Cristo Redentor não vai cruzar os braços. Que desabe o Cultura Artística, os cortiços underground da praça vão continuar de pé, passando a muamba.

Pronto, Uol, pode me suspender de novo.

Escrito por Sérgio às 16h24
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